A visibilidade do profissional Trans

A visibilidade do profissional Trans

Nesta quarta-feira, 29 de janeiro, é celebrado o Dia Nacional da Visibilidade do Transgênero e Travesti. Pessoas que são marginalizadas e invisíveis tem no trabalho a chance de inclusão e empoderamento.

Todos sabemos que as empresas avaliam os candidatos e as candidatas desde a seleção dos currículos. Isso é natural na busca de talentos. Quem conhece o ritual, sabe também que logo depois, vem a entrevista. Junto com ela, sempre há aquele frio na barriga, a mão transpira, o coração bate mais rápido, tudo para deixar o momento mais desafiador para quem está sob avaliação. Ser avaliado não é fácil, não é mesmo? Do mesmo modo, é frustrante não ser a pessoa escolhida, mas faz parte do jogo. No entanto, em grupos que sofrem com a discriminação muitas vezes esse processo fica mais complicado. E é aí que começa a história da invisibilidade. Hoje vamos falar das oportunidades para as pessoas trans.

Responda rápido e com franqueza, você acredita que as pessoas trans têm as mesmas oportunidades que as pessoas cis? Quando passam pelo ritual de avaliação, são julgadas pela competência ou existe uma dose de preconceito ainda que atrapalha geral?

Pois é, são esses julgamentos equivocados que resultam na não escolha do profissional transgênero. A maioria dos selecionadores acaba desconsiderando todas as informações que leram sobre a qualificação do candidato e se atenta apenas à sua identidade de gênero. Isso é justo? Claro que não! Isso é sim, equivocadamente, um fator, se não o único, de eliminação da disputa.

Embora as empresas não admitam publicamente essa discriminação, isso é uma realidade comum. Faça o teste de girar o pescoço ao seu redor e você vai perceber também. Quantos profissionais trans têm na sua empresa? Pois bem. Isso reforça a importância do dia de hoje. Estamos falando de VISIBILIDADE!

Assim como abordamos em Como o trabalho impacta na vida das pessoas com deficiência, o trabalho gera empoderamento para qualquer pessoa, mas principalmente para os chamados grupos minoritários, pessoas que historicamente sofrem maiores desafios na vida por conta da discriminação. 

Para as pessoas Trans, um trabalho digno muda suas perspectivas e até sua expectativa de vida. Você sabia que a média de tempo de vida de uma pessoa transgênero no Brasil é de apenas 35 anos?

Sim. Isso motivado por todos os desafios que essa pessoa enfrenta por não atender o chamado modelo heteronormativo. Sua não aceitação social a leva a marginalização e trabalhos pouco remunerados, arriscados e precarizados.

Por isso, uma chance de trabalho formal também tem grandes impacto na vida da pessoa transgênero. Seu desafio para ser aceita começa no seio familiar e tem continuidade no ambiente escolar, ainda na infância e adolescência. Evasão escolar e abandono precoce do lar são situações comuns na vida dessa população. O Brasil, infelizmente lidera um ranking mundial do qual pouco nos orgulhamos: é o país mais violento para as pessoas transgênero. Precisamos mudar esse dado!

E, um dos caminhos para mudar essa dura realidade é dar a oportunidade de trabalho decente para esse público. O empoderamento e autonomia conquistados com o trabalho permitem que a pessoa transgênero tenha condições de enfrentar o preconceito e buscar o seu espaço na sociedade, inclusive criando um ambiente e uma referência para outras pessoas na mesma situação. Já pensou nisso? Representatividade nesse caso importa e muito.

Como consequência a pessoa deixa de ser limitada a guetos e marginalizada. O trabalho formal abre portas para a pessoa transgênero sair da invisibilidade social e fomenta as discussões sobre discriminação e preconceito.

Você pode ter muitas dúvidas sobre como é a inclusão de um profissional Trans, mas a informação e a vontade de incluir são o primeiro passo. Analise a possibilidade de abrir uma ou várias oportunidades na sua equipe para um profissional Trans. Ajude a tornar essa data mais que um marco de conscientização, mas um marco de mudança na vida de uma pessoa.