20 de novembro: um dia de combate ao racismo e à transfobia no Brasil e no mundo

20 de novembro: um dia de combate ao racismo e à transfobia no Brasil e no mundo

Data celebra o Dia da Consciência Negra no país e relembra os assassinatos de pessoas transgênero e transexuais no mundo – Brasil lidera lista de violência

O Brasil celebra em 20 de novembro o Dia da Consciência Negra.  Em várias cidades, inclusive, é feriado, como em São Paulo, cidade residência dos causadores. Mas não estamos aqui para falar de mais um dia no calendário para se descansar apenas. 

A data, que faz referência à morte de uma das maiores lideranças contra a escravidão no Brasil, Zumbi dos Palmares, vem para nos ajudar a refletir sobre as desigualdades sociais que existem entre pessoas negras e brancas no nosso país. A comemoração foi criada oficialmente em 2011, mas já fazia parte do calendário escolar desde 2003.

Apesar da data de conscientização, a discriminação às pessoas negras e miscigenadas ainda é evidente no Brasil. É o que as pesquisas que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Organização das Nações Unidas revelaram nos últimos anos.

De acordo com dados de 2018 da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua), a cor da pele é determinante quando o assunto é desigualdade social no país.

Os dados do IBGE apontam que, dos 13 milhões de brasileiros desempregados há época, 64% eram negros. Já a média da renda per capta familiar de brancos era o dobro da renda dos negros, de acordo com os dados levantados entre 2000 e 2010, pelo Programa das Nações Unidas e Desenvolvimento. 

Além desses dados, é no dia-dia que podemos notar a discriminação contra os negros e a exposição a outras vulnerabilidades sociais, mas sobretudo à violência. 

Outra pesquisa do IBGE, divulgada recentemente, mostra que a maior parte dos assassinatos no Brasil atingem homens negros e pardos, 185 a cada 100 mil pessoas, entre 18 e 25 anos. Já entre os homens brancos são quase três vezes menos, 63 a cada 100 mil.

E se além de ser negra, a pessoa for, também, transgênero ou transexual? Dá para imaginar quantas situações de preconceito alguém com essas características passa? Muito, não é? Foi o que aconteceu com a ativista norte-americana Rita Hester, mulher trans e negra, assassinada em 1998.

Sua morte deu origem ao Dia Internacional da Memória Trans, celebrada coincidentemente em 20 de novembro. A data, que relembra os assassinatos por transfobia, tem o intuito de conscientizar sobre o preconceito em relação às pessoas trans.

E é esse o outro tema que vamos conversar neste post do Blog da Santa Causa. Você sabia que o Brasil lidera um ranking internacional nada positivo em relação à transfobia? 

De acordo com a ONG Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata pessoas travestis e transgênero no mundo. Foram 868 assassinatos de 2008 a 2016 com essa motivação. Em números absolutos, a pesquisa aponta que essa quantidade é três vezes maior do que o segundo colocado, o México, que registrou 256 assassinatos de pessoas trans no mesmo período.

Ainda segundo a pesquisa, quase 3 mil pessoas foram mortas por serem trans, durante os oito anos de registros, em todo o planeta. Não há como negar: o preconceito é o principal motivo da discriminação e por consequência, dos assassinatos (no Brasil e no mundo).

Mas ainda fica a pergunta: o que podemos fazer para acabar com esses preconceitos e discriminações? A receita é a de sempre: a informação. Quanto mais se conhece, mais se respeita a outra pessoa. Portanto, vamos aproveitar esses marcos no calendário para refletirmos sobre o que estamos fazendo para mudar essa realidade em nosso entorno. Afinal, como muito bem elucidado pela educadora e ativista negra Angela Davis, em um discurso na cidade de Oakland, nos Estados Unidos: “Numa sociedade racista, não adianta não ser racista, nós devemos ser antirracistas”.