Tamanho não é documento!

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Ter nanismo é conviver diariamente com uma série de desafios e preconceito. O dia 25 de outubro é para lembrar esses desafios e mudar essa realidade. Mas como?

Você sabia que desde 2017 o Brasil celebra em 25 de outubro o Dia Nacional de Combate ao Preconceito Contra as Pessoas com Nanismo? A data, que faz referência ao aniversário do ativista mundial da causa, o ator Billy Barty, tem o objetivo de trazer uma reflexão a respeito da inclusão das pessoas com nanismo.

Mas você já parou para pensar quais são esses desafios que eles vivenciam? Vamos descobrir então. Muito embora, as pessoas com nanismo enfrentem várias situações difíceis por causa da falta de acessibilidade, principalmente arquitetônica, como a altura de mobiliários e o alcance de objetos, está no preconceito o maior entrave.

Vistas de forma caricatas por muito tempo, as pessoas com nanismo são alvos de brincadeiras e comentários pejorativos motivados pela baixa estatura em comparação às demais pessoas. Mas você sabia que essa condição impacta muito na saúde delas?

Existem centenas de fatores que levam ao subdesenvolvimento da estatura de alguém, por isso, é difícil de tratar sobre eles apenas neste artigo. Mas o nanismo geralmente pode ocorrer de duas maneiras:

  • aspectos hormonais: afeta todo o organismo e acompanha as dimensões do corpo, e
  • formação dos ossos: deixa os órgãos superdimensionados.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nanismo se caracteriza quando a curva de crescimento de uma pessoa tem um intervalo percentil inferior a três, dentro da estatura média das pessoas com a mesma idade e sexo.

Os desafios das pessoas com nanismo contra o preconceito

Entre os desafios contra o preconceito está, como já dissemos, a visão caricata em relação as pessoas com nanismo. Mas você já parou para pensar como isso acontece?

Um exemplo é quando elas são tratadas como crianças, ainda que na idade adulta.

Outra situação evidente é quando são retratadas de maneira exótica pelos meios de comunicação, principalmente no humor, sendo alvos de ações de bullying constantemente, onde quase sempre são retratadas como algo cômico ou infantilizadas.

Aqui vale a ressalva que o termo correto é pessoa com nanismo. A pessoa vem em primeiro lugar, a deficiência é apenas uma das características dessa pessoa, dentre tantas outras que ela possui.

Mas isso não acontece apenas entre os adultos. Durante a idade escolar, a situação não muda muito. Crianças e adolescentes com nanismo são alvos frequentes de comentários que expõe a baixa estatura deles, muitas vezes por não conseguirem realizar atividades comuns na sala de aula ou na educação física.

Essas atitudes, mesmo que tenham o sentido de uma brincadeira para quem faz, interferem de maneira significativa na vida das pessoas com nanismo, o que pode inibir ainda mais a participação social delas, limitando-se a atividades em pequenos grupos, de familiares ou de amigos.

A informação para combater o preconceito

Embora a realidade esteja mudando nos últimos anos, ainda há muito a ser trabalhado. Por isso, o melhor caminho é o acesso à informação de qualidade.

Se você quer conhecer mais sobre a realidade das pessoas com nanismo, aqui vão algumas dicas de como e onde começar.

A primeira fonte para se buscar informação, a fim de se romper com o preconceito, é conversar com a própria pessoa com nanismo. Um bom diálogo direto quebra muitos paradigmas. Nunca se esqueça de chamá-la pelo nome, como devemos fazer com todos.

Em conversas ou nas redes sociais, evite se referir a uma pessoa com nanismo como anão ou qualquer outra expressão que a rotule. Tratar com respeito é um comportamento fundamental sempre.

No ambiente escolar, onde a criança e o adolescente têm relações humanas intensas, é interessante estimular a aprendizagem com o outro, para entender as dificuldades e possibilidades que todos têm. Assim, não permite a formação do preconceito. (Isso vale para qualquer assunto).

Aqui no Brasil, uma das principais fontes de informação sobre as pessoas com nanismo é o site Somos Todos Gigantes, idealizado pelo casal Juliana Yamin e Marlon Nogueira, pais do Gabriel, que tem nanismo, e de Laura e Fernando.

Além de criar o site para reunir informações, são responsáveis pela campanha de comunicação chamada #somostodosgigantes para chamar a atenção ao tema e descontruir preconceitos.

A partir daí, surgiu o movimento que deu origem ao portal de notícias com o mesmo nome e ao projeto de lei que criou o Dia Nacional de Combate ao Preconceito Contra as Pessoas com Nanismo, celebrado todo dia 25/10.

Agora é com você. Já pensou como você pode contribuir para diminuir esse preconceito e ajudar outras pessoas a respeitarem as pessoas com nanismo?

Créditos da imagem: Arthur Calasans – Amanajé Fotografia