Mapeamento de cargos: sua importância na inclusão de profissionais com deficiência

Mapeamento de cargos: sua importância na inclusão de profissionais com deficiência

A ferramenta bem aplicada pode oferecer uma visão clara das condições de acessibilidade do cargo, ampliar a perspectiva inclusiva dos gestores e aumentar a assertividade na formação de suas equipes.

Contratar um profissional com deficiência vai muito além de cumprir a Lei de Cotas. Para se ter um tratamento justo a esses e demais colaboradores, é fundamental conhecer os desafios de acessibilidade dos cargos e também procurar conhecer as habilidades de cada um. Continue a leitura e entenda como isso pode ser feito.

E onde entra o mapeamento de cargos nisso tudo? A resposta é simples: em tudo! No mapeamento de cargos tradicional, encontra-se a descrição das atividades de todas as posições de trabalho na empresa, com os respectivos salários. Assim, obtém-se uma ideia das competências e habilidades que se espera de cada profissional dentro da empresa.

Mas será que não falta algo aí? Já parou para pensar que neste mapeamento tradicional pode existir uma pedra no caminho da acessibilidade? Pois bem, se a intenção é dar um match entre as competências do profissional e as atividades do cargo, e construir equipes diversas e inclusivas, não pode faltar uma avaliação das condições de acessibilidade no ambiente de trabalho, entre os itens a serem considerados.

Somente assim é possível entender quais adequações são necessárias para que o profissional naquela função possa ser mais produtivo e melhore seu desempenho, principalmente o profissional com deficiência, e assim ter realmente as competências exigidas pelo cargo.

O mapeamento com essa finalidade torna mais clara uma questão chave: a deficiência não tornará seu trabalhador mais ou menos produtivo, mas um ambiente pouco acessível e pouco inclusivo sim. E é aí que entramos no segundo assunto do artigo: funcionalidade e incapacidade, vamos lá?

Funcionalidade e Incapacidade
Atualmente, é necessário pedir para um candidato um laudo médico como o principal documento para comprovar a deficiência, para que ele possa fazer parte das cotas garantidas por lei. O laudo deve conter o número do CID-OMS (Código Internacional de Doenças), bem como indicar o tipo e o comprometimento da deficiência.

Mas como deve ser feita a indicação da deficiência? Com a entrada em vigor da Lei Brasileira da Inclusão (13.146/15), a partir de uma avaliação que considera o modelo biopsicossocial.

Esse é o modelo usado pela Organização Mundial da Saúde, na chamada CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde), criada em 2001 para compreender as condições de funcionalidade de uma pessoa, em determinado ambiente.

A classificação pela CIF considera fatores relacionados ao corpo e ao ambiente. Desta maneira, a influência do ambiente é fundamental para determinar se uma pessoa é mais ou menos incapaz, independente de ter ou não uma deficiência, ou ainda do tipo de deficiência que ela tenha. Um ambiente de trabalho pouco acessível, naturalmente irá impor mais barreiras, consequentemente teremos um profissional que apresentará uma incapacidade parcial ou total de executar ou mesmo estar nesse ambiente.

E é justamente por isso que o mapeamento de cargos precisa se preocupar com as questões de acessibilidade relacionadas ao cargo que será mapeado.
No trabalho, a funcionalidade e a incapacidade podem ser equilibradas, com medidas que devem ser tomadas desde o processo de contratação do trabalhador. Isso fica ainda mais evidente quando se trata de um colaborador com deficiência.

Foi a partir dessa compreensão, de que há a necessidade de tornar o processo de contratação acessível, principalmente quando se trata da Lei de Cotas, que a Santa Causa desenvolveu uma metodologia de mapeamento chamada de Job4All.

O Job4All identifica aspectos relacionados a acessibilidade e recursos de tecnologia para o trabalho. O objetivo é garantir que o recrutador seja mais assertivo no processo seletivo, tenha uma visão mais clara do cargo e desta maneira se sinta menos compelido a limitar a participação no recrutamento de profissionais com determinado tipo de deficiência. Após a contratação, este profissional terá mais oportunidades de realizar suas atividades e de fazer parte do programa de carreira da empresa. O que hoje é um dos maiores desafios das empresas que contratam pessoas com deficiência.

As dimensões da acessibilidade
Muitos podem imaginar que ter um local de trabalho acessível é apenas instalar uma rampa ou um elevador, mas vai muito além disso.

Antes de tudo, é preciso explicar que acessibilidade é um conjunto de condições e recursos que minimizam as barreiras que impedem ou dificultam as relações de uma pessoa em qualquer ambiente. Desta forma, podemos dividir a acessibilidade em dimensões:

● arquitetônica: refere-se às condições físicas e de mobilidade dos locais.
● comunicacional: trata dos aspectos dos sistemas de comunicação da empresa.
● metodológica: aborda a forma de desenvolver as atividades, processos e
procedimentos de trabalho.
● instrumental: tem como foco os equipamentos e tecnologias utilizadas no trabalho.
● programática: foca nas normas e regras da empresa.
● atitudinal: refere-se ao comportamento das pessoas em relação à deficiência.

O mapeamento de cargos precisa contemplar uma análise cuidadosa dessas dimensões e considerar que tipo de recurso assistivo ou adaptação pode ser oferecido ao profissional para minimizar ou mesmo sanar qualquer limitação para o exercício da sua atividade.

Benefícios do Mapeamento
Um mapeamento de cargos bem aplicado e focado na funcionalidade e dimensões da acessibilidade traz uma série de vantagens para a empresa, como:

  • Amplia a visão de acessibilidade e as oportunidades de contratação;
  • Foca nas habilidades do profissional e não na sua deficiência;
  • Identifica a necessidade de recursos assistivos;
  • Aumenta as chances de encarreiramento dos profissionais;
  • Torna a contratação mais qualitativa;
  • Torna o cargo mais atrativo para os profissionais com deficiência;
  • Auxilia na diminuição do turnover.

    Para saber mais detalhes sobre o Job4All, e ter o nosso apoio para alcançar todos esses
    benefícios, entre contato pelo e-mail stacausa@stacausa.com.br ou pelas nossas redes sociais.

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